quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Aprendizado inusitado na rua (crônica)

Certa vez, um sujeito me parou na rua e, para minha surpresa, me pediu atenção. Estava desempregado e, portanto, só lhe restou ser mendigo. Porém, vi nele muito mais que a miséria das ruas. Vi sua fé em rever a família, que segundo ele, morava no interior de São Paulo. O que queria? Aparentemente, apenas um aperto de mão e a compreensão que raramente tivera, dizendo sempre que iria reencontrar, um dia, sua família.

Esse homem que andava já sem rumo, entre as calçadas sujas e a esperança sincera de alguém que, nostalgicamente, chorava pelas pessoas que amava, querendo reencontrá-las, pediu para me mostrar suas fotos com a família e compartilhar curiosidades interessantes sobre sua vida.

O mendigo foi, segundo sua carteira de trabalho, trabalhador rural, operário, entre outras profissões honestas, até que não conseguiu mais emprego e virou um morador misterioso das ruas.

Comecei a ver esse encontro inesperado não como uma boa ação, mas como um sinal de que deveria ser mais solidário com o próximo e não ter medo de ajudar as pessoas desfavorecidas sempre que houvesse oportunidade.

Porém, refletindo, aprendi mais do que isso! Aprendi que as pessoas também se alimentam de alma e não só do pão de cada dia. Me senti bem quando vi reações positivas do sujeito que, emocionado, compartilhou momentos de saudades e emoção. A vida necessita do sustento, mas o que seria da vida sem o sustento da alma? Posso dizer que aprendi, com aquele mendigo, que a garra e a alma movem as pessoas.

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