sábado, 27 de fevereiro de 2010

Crônica: Nomes

Há um hábito cultural de se homenagear alguém a partir da escolha de um nome, de pessoas próximas às idolatradas e distantes. Nomes surgem como “bênçãos” dadas a alguém na esperança de que siga determinado caminho, muitas vezes como um desejo indesejável no caso dos intitulados. Não há motivo aparente para a escolha de um nome, pois os motivos são múltiplos para nomear ou renomear indivíduos.

Há nomes mais complexos que outros e que são muitas vezes copiados de um “nome artístico” de alguma personalidade. Dentre esses nomes há os mistos e ou exóticos, famosos apenas por serem diferenciais.

Há também nomes discretos que ao se juntarem formam um casamento cercado de estranhamento desde o primeiro contato, mas que percorrem vidas inteiras se suportando no silêncio e na ausência de apelidos ou até mesmo a própria ausência de um dos nomes na voz alheia.

Dentre os mistos, há também nomes nada discretos, oriundos de uma idéia criativa e solta ou de uma falha e forçada intenção de homenagear mais de uma pessoa ao mesmo tempo. Estes, geralmente, se tornam um enigma em sua originalidade para os estranhos, mas únicos para os íntimos.

Bênçãos ou maldições, os nomes podem dizer muita coisa por algumas associações ou simplesmente não dizer nada. Entre anjos e ídolos, geralmente são as descrições mais imprecisas e aleatórias das pessoas, herdadas por vontades alheias de esperança e admiração a terceiros. Como dizia o ditado, “santo de casa não faz milagre”.

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

A cara dose...

O fino vinho que a elite prova,
O sangue do povo, que escorre
Na ambição de bocas gulosas
Se divertindo com tudo o que morre...

Na crueldade sutil da ignorância,
Jogamo-nos como restos...
Sim! O egoísmo cego,
Donde somos, simplesmente,
Caça e presa de nós mesmos...

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Abatedouro humano

O gado caminha, explorado
Por poderosos, injustiçado
Marcha rumo ao abatimento
Sustentando a desigualdade
Manipulado, aos poucos, morrendo
Pela miséria justificada pela vaidade
A carne banhada de um injusto suor
Prato cheio para os “escolhidos”
Que, por uma crueldade bélica,
Sustentam ideais mortos e restritos...

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Passeio vão

Sigo tranqüilo, sem rumo,
Indiferente às ruas calmas
Que me guiam insistentes e retas
Na falta de uma caridosa alma...

Então, em sua imensidão, sumo.
Das ruas, me torno o consumo
No morto e urbano caminhar
Que apenas trilho por trilhar...

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Ambição

Cegueira que nos homens invade,
Sejam eles poderosos ou não,
O egoísmo mais cruel que bate
No coração do homem é a ambição!...

É toda a ética ferida
No coração vendido
De um soldado, que briga
Por um ódio cego, perdido

Mortal ideologia!
Entre a miséria e a orgia,
Ri algum líder d’um falso ideal
Alimentado pelo povo,
Sustentando seu próprio mal...

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Esperança em pedaços

Piedade ninguém cede
Ao garoto largado
Que, na esquina, pede
A esperança em pedaços

A pobre criança
Futuro não alcança
Ao chão sujo se lança,
Pisoteado cruelmente
Por aqueles que não sentem
A doença social,
Que já se torna normal!
Num caos organizado,
Ambição por todos os lados!
O que resta? Apenas da miséria ser tomado...

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Desordem e algum progresso

Exércitos, corpos e fiéis
Descritos em quaisquer papéis...
O caos banalizado
A um povo desacreditado,
Que busca na utopia
De se enganar a cada dia,
Pequenos progressos
A troco de esmola,
Calando os versos
De um hino inverso
Que esqueceu de ser cantado
Na esquina de algum senado...