quinta-feira, 14 de julho de 2011

Desencontro (trova)

Das emoções em comum,
Trocaram raras palavras,
Sem deixar sentir algum...
Por fim, só restou estrada!

Forasteiro

Fora logo recebido com estranhamento,
Mas trocou migalhas por conhecimento.
Ficou íntimo depois de certo tempo,
Da plebe viraria um novo membro,
Até que na alma bateu-lhe um desalento...

Foi buscar, então, o que sempre procurou.
Nunca mais foi visto e nada ali restou...
Esperança cavalgando sem nação,
Virou lenda perdida no sertão...

terça-feira, 12 de julho de 2011

Urbanos

Na rua, a massa é exposta
Por um povo que ainda crê
Que um dia haverá resposta
Para tudo o que aqui se vê

Transitam tipos distintos
Por caminhos em comum.
São vidas que se suportam
Na cruel lei da sobrevivência!

A hora do "rush"

“Há uma saída logo ali!”, avisou-lhe a consciência, ansiosa. A realidade, porém, não dava passagem. Em meio à competição imóvel entre os carros, vendedores passavam oferecendo bobagens para que pudesse passar o tempo que o acaso tornava inútil.

Ele ligou então o rádio para saber das notícias, na esperança de ouvir uma alternativa ou, pelo menos, uma estimativa de quando sairia do caos. Porém, os ruídos do aparelho não falavam nada a respeito de sua condição, como um oráculo falho, nunca antes tão desejado e ao mesmo tempo tão odiado.

O motorista se irritava a cada mudança no botão, se desesperando ao esperar atentamente uma resposta imediata. Porém, o trânsito não fluía, o que já quase havia esquecido. Olhava para frente, para os lados e tentava perguntar aos gritos, em meio às buzinas, o que tinha acontecido e como aquele caos foi gerado.

Passado um longo tempo de imobilização, o trânsito começava a fluir numa sintonia confusa. Apreensivos, os motoristas pareciam mais atentos de uma forma geral. As buzinas se calavam, assim como o silêncio que se formava por uma expectativa em massa.

Já mais a frente, os carros começavam a ser liberados aos poucos. Naquele instante, se soube que havia sido um acidente entre dois carros o que causara toda aquela mobilização, então já “compreendida” por todos.

Uma espécie de mistura entre o alívio da própria locomoção e certa dose de pena alheia pelo acidente se aflorava, logo caindo no esquecimento apesar da gravidade da batida, na medida com que a cena se tornava cada vez mais longínqua.

quinta-feira, 7 de julho de 2011

Lar de papel (trova)

Em dias de morto céu,
Há vida a compensar!
Adentro-me no papel,
Abrigando meu pensar!

terça-feira, 5 de julho de 2011

Semáforo, palco da desilusão...

Era um menino qualquer entretendo,
Com o desespero da fome e do medo,
Seu público invisível por trás de vidros fóbicos.
De janela a janela, portas sempre fechadas...
Uma barreira fixa a distância entre ambos os lados,
A cada peça de tom escuro e imóvel,
Tentando ser rompida pela comoção
Numa falha tentativa de humanizar-se...

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Novos ares

Para que as lágrimas sequem diante da desilusão,
Preciso jogar-me a um vento sem volta... Voar talvez!
Hei de sentir uma brisa que traga ares de esperança,
Deixando-me levar por um turbilhão de amor qualquer...