O samba tocado no morro
Não tem o volume de tempos atrás
Da época que cantava o povo
Como oração de luta e de paz
Mas ainda canta apaixonado,
O povo que desce e sobe cansado,
Vivendo no diário sacrifício
D’um ingrato e qualquer ofício
Chega, porém, o fim de semana!
No samba, é o povo que clama!
Entre dores e direitos ausentes,
Sua voz grita com liberdade,
Na sagrada poesia da realidade!
domingo, 12 de setembro de 2010
terça-feira, 7 de setembro de 2010
Caminho perdido
Perco-me em distantes pensamentos...
Nos trilhos já dispersos pelo vento,
Caminho à procura de algum momento,
Qualquer concretização do sentimento
Que faça acabar com o infindo lamento
Desses dias vazios e incompartilháveis...
Nos trilhos já dispersos pelo vento,
Caminho à procura de algum momento,
Qualquer concretização do sentimento
Que faça acabar com o infindo lamento
Desses dias vazios e incompartilháveis...
segunda-feira, 30 de agosto de 2010
Cais abandonado
Vejo além, no teu sorriso:
Um sentimento escondido,
No canto de teus lábios mornos...
Quão frio e intocável é meu destino
De num sorriso alheio, ver-te pousá-los!
Voaram para longe dos meus!... Restou o vento,
Tornando meu sorriso cais abandonado...
Só o vazio tocando minha fria face,
Trazendo memórias, entre lamentos,
De um invisível momento,
Em que o desejo nega a realidade...
Um sentimento escondido,
No canto de teus lábios mornos...
Quão frio e intocável é meu destino
De num sorriso alheio, ver-te pousá-los!
Voaram para longe dos meus!... Restou o vento,
Tornando meu sorriso cais abandonado...
Só o vazio tocando minha fria face,
Trazendo memórias, entre lamentos,
De um invisível momento,
Em que o desejo nega a realidade...
terça-feira, 17 de agosto de 2010
A alma de um palhaço triste
Nunca soube seu nome. Era um palhaço que transbordava alegria por onde passava, deixando sorrisos e calando choros nas faces inocentemente frágeis das crianças, mantendo-as entretidas, como uma forma de encantamento. Sentia-se, aparentemente, recompensado pela humilde vida de plantar sorrisos por todos os cantos.
Espalhava felicidade! O que daria errado para um ser tão satisfeito com tal função? Passei, então, a vê-lo ocasionalmente chamando a atenção das pessoas pela praça, de forma performática e ao mesmo tempo sincera. Parecia querer contar algo. “Que tipo de segredos teria um palhaço?”, cheguei a pensar, como um mistério banal. Despedi-me do ser saltitante com um simples aperto de mão e um sorriso, sem alimentar minhas dúvidas.
Dias se passaram e eu o via na mesma praça, sempre entretendo as crianças que por ali circulavam. Para minha surpresa, ele me reconheceu e veio até mim, até que me cumprimentou. Como sempre fui um homem fechado e tímido, nunca esperaria chamar a atenção de um palhaço, um ser de alegria tão exposta e tamanha extroversão.
Com o tempo, passei a elogiar e a bater palmas para as performances do palhaço, admirando sua alegria como uma forma de arte. Porém, a dúvida pelo motivo de eu ter sido escolhido como seu amigo e espectador permanecia como algo surpreendente.
Depois de muito tempo, já sob chuva e frio, passei pela praça ao caminhar despretensiosamente para o trabalho e lá estava o palhaço. Desta vez, parecia esperar as crianças que não compareceriam. A máscara do palhaço estava borrada e comecei a reparar nos defeitos e no lado humano daquele artista, que manteve um sorriso, ainda mais humano, calado, porém com uma lágrima sincera e real, algo que eu nunca tinha reparado naquele ser. Então, ele disse, com um sorriso sincero e discreto: “Obrigado por compreender minha dor. Finalmente, alguém entendeu que sou humano!"
terça-feira, 10 de agosto de 2010
Desejos da carne...
Há dias em que a carne clama!
Aflitos corpos envoltos pela chama,
Implorando calados a quem se ama,
Fazendo da carne sua própria cama...
Aflitos corpos envoltos pela chama,
Implorando calados a quem se ama,
Fazendo da carne sua própria cama...
quinta-feira, 29 de julho de 2010
Lamentar
É sustentar saudosamente a dor,
Desenterrando desta algum valor
Que se fez além do passado vão,
De memórias que não voltarão...
Desenterrando desta algum valor
Que se fez além do passado vão,
De memórias que não voltarão...
quinta-feira, 10 de junho de 2010
Pobre garoto...
Quero ser parte da massa
E, como um moleque qualquer,
Brincar com a própria desgraça!
Ver graça nas chamas
Da guerra cotidiana
E escapar por um triz
Dizendo o quanto sou feliz...
Se me engano ou tenho fé?
Apenas me mantenho de pé
Para poder dizer um dia:
“Prazer! Sou José!”
E, como um moleque qualquer,
Brincar com a própria desgraça!
Ver graça nas chamas
Da guerra cotidiana
E escapar por um triz
Dizendo o quanto sou feliz...
Se me engano ou tenho fé?
Apenas me mantenho de pé
Para poder dizer um dia:
“Prazer! Sou José!”
Assinar:
Postagens (Atom)